"Veja um pouco do que há em mim, deixe um pouco do há em ti"

Eu tornei a voltar-me e determinei em meu coração saber, inquirir, e buscar a sabedoria e a razão, e conhecer a loucura da impiedade e a doidice dos desvarios. (Ec 7.25)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

"A vida é assim, como um emaranhado de coisas que a cada dia você vai tentando colocar em ordem, mas que, quanto mais tenta, mais você descobre que está se enrolando mais ainda. Então o que resta é viver sem medo de ser feliz."

Relações Homo Sapiens

O homem é inconcebível fora de um contexto relacional e sua identidade como pessoa se dá em função da sua interação com outros seres humanos e com o meio em que vive.

Nas palavras do filósofo Martin Buber, há dois tipos fundamentais de relações. A primeira se dá no nível eu/tu, e a segunda no nível eu/isso ou eu/coisa. A primeira descreve o encontro com pessoas, a interação entre elas que pode resultar numa convivência passiva, conflituosa, afetuosa, etc. Neste tipo de relação pode ser difícil aprender a conviver com a diferença e a respeitá-la ou mesmo aceita-la, mas é sempre possível, visto que se dá entre indivíduos potencialmente semelhantes e por natureza relacional. A segunda diz respeito à maneira como o homem se relaciona com o mundo inanimado, o mundo das coisas, dos objetos que o cercam e qual o valor que lhes é atribuído em função do seu uso e necessidade, às vezes indispensável ao ser humano, às vezes apenas satisfazendo a fins egoísticos.

Podemos arriscar, ao refletir sobre o pensamento de Buber, que o verbo ideal para descrever o primeiro tipo de relação seria o verbo amar, perfeito para descrever a ação das pessoas com relação a outras pessoas, e o verbo que deveria descrever o segundo tipo seria o verbo usar, mas isso quer dizer que devemos amar as pessoas e usar as coisas. Essa deveria ser a maneira correta de agir dos seres humanos, mas infelizmente tem acontecido o inverso. Na pratica, percebe-se que as pessoas têm amado as coisas e usado as pessoas, isso nos remete a outra questão: o domínio do ser e do ter.

Erich Fromm estudou profundamente estas duas modalidade de vida e, segundo ele, a forma predominante, principalmente na chamada sociedade ocidental, é o domínio do ter. A posse dos bens materiais tornou-se um fim obsessivo que para alcançá-lo não se mede esforços e nem se leva em consideração os meios, se são ou não legais, afinal, o consumismo é uma das características do homem moderno, e o optar pelo domínio do ser como modalidade de vida é visto como sinal de fraqueza ou covardia, o que nos mostra que na sociedade em que vivemos uma pessoa vale pelo que tem e possui e não pelo que é.

A função que o homem desempenha na vida e na sociedade é determinada pelo tipo de relação que ele mantém com o seu universo significativo. O problema é que os valores e as normas de condutas do homem atual estão gravemente comprometidos, devido há uma grande inversão de valores, na qual os objetos ocupam lugar superior à pessoa humana. Mesmo de uma maneira simples e abreviada podemos afirmar que há três tipos básicos de relações humanas que definem a posição do homem no mundo.

A primeira delas é a fé, a relação do homem com o transcendente. O transcendente aqui pode variar de pessoa para pessoa e, independente do valor reconhecido ou não que o individuo lhe atribua, ele desenvolve papel fundamental na função que o homem exerce no mundo. O segundo tipo de relação que condiciona a função do homem na vida e na sociedade é o matrimonio, no sentido de encontro com o semelhante, interação com ele, e também como a forma mais profunda de relação entre dois seres humanos. Em terceiro lugar temos a vocação, que expressa à relação do homem com a sociedade em geral, dando à vida senso de significado, propósito e objetivo.

No entanto, o fator mais importante na determinação da função da vida do homem é a sua identidade ou auto-imagem. Mas afinal o que significa a identidade psicológica de cada um de nós?

O homem desempenha diversas funções na sua vida e para cada uma dessas funções existe uma forma conveniente de se comportar e agir. Assim em face das diversas funções, cada qual com sua peculiaridade, há necessidade de um elemento nuclear que assegure no ser humano o senso de continuidade no tempo e no espaço. Esse elemento nuclear é a nossa identidade.

Dessa forma, resta ao homem definir o que realmente é significativo, significativo a tal ponto que possa moldar e dirigir suas ações e crenças. Creio realmente que quando isto for feito – essa mudança de pensamento – acontecer, então teremos dado um grande passo na construção de um mundo melhor, pois nossas crenças sempre moldarão nossas ações.

Desnaturais

Esse vídeo é muito legal, foi produzido por dois amigos meus... Confiram!
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